Crônicas e Poemas

Eis que ela surge

21 de agosto de 2013

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“É noite. E nessa escuridão projetada nas esquinas, se esgueirando sem eficiência pelas calçadas, fugindo da luz amarelada dos postes, eis que ela surge. No rosto levava a expressão de um morto, um cadáver sem velório que apenas aguardava o nada, sem passagem ou paraíso. Caminhava em passos toscos, permitindo que o solado se chocasse com o chão e provocasse sons que anunciavam a sua procissão. Nos olhos, vazio; um vazio inexpressivo, sem promessas, destituído de sentimentos e valores. Um olhar moribundo. Um olhar sem amor. Nas mãos segurava uma carta, talvez do amado. Não, não. Tinha consigo uma carta de despedida, abarrotadas de linhas complexas, desculpas caligrafadas e repetitivas. Nada novo, apenas despedida. Seu corpo deveria flutuar, mas fincava um passo de cada vez, determinando que o coração lutava pelas míseras batidas que ainda lhe restava.”

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