TÃO MARIA, TÃO AMÁLIA

textinho

Há uma linha tênue entre as heroínas dos romances épicos conhecidos por quase todos nós, e as verdadeiras guerreiras que gladiam sem armadura dia após dia, sufocando incansáveis vezes, as suas necessidades, o seu cansaço em prol de um bem maior – segundo seu ponto de vista. Mulheres não apenas simplórias em suas vidas costumeiras, sem dragões alados, sem seres místicos que ovacionariam suas vitórias com mais gosto. Mas sim, de fato, mulheres com vidas marcadas no dia a dia, no correr das horas nas quais nem sempre são vistas pelos olhos dos meros mortais – assim como eu. São senhoras e senhoritas que vencem uma batalha por segundo, uma dor corpórea a cada respirar ou bater das suas asas imaginárias, e vencem, tenho dito. Vencem porque sabem repartir suas glórias com o mundo, mesmo quando olvidam-se de si mesmas; mulheres tão Maria, tão Amália – ou quem sabe deveria ser Amélia? – porém Maria.

Dedico-me a pensar que supostamente são mais do que simples mulheres, pois ao olhar na horda de sombra que se forma sempre em que seus olhos se deleitam em trilhas poéticas, perdidos em horizontes, elas renascem inconstantemente, reestruturando suas forças, reformulando os passos, e curando as feridas adquiridas nos campos de batalha de todos os dias. E quando deparo-me contigo tão Maria, tão Amália, refaço-me inteira em suposições, querendo descobrir se há uma estrutura mais forte do essa cápsula que reveste seu corpo, fazendo-lhe suportar o peso da vida. É curioso, pois digo, como é misterioso esse labirinto que envolve seu coração, jamais nos permitindo ter certeza se anda a chorar ou a sorrir. Torna-se um fascinante espetáculo macabro de fantasias que não se calam ao soar da última badalada do dia. É como, não apenas em trejeitos poéticos, mas em suspiros incontidos, aplaudir sua trajetória.

Por isso deixo lançada ao vento a pergunta que cobre as palavras supracitadas: com quantas gotas de você se faz o amor? Haveria, então uma quantidade exata? Uma dose perfeita da sua existência para dar origem ao manancial de sentimentalismo que desperta em cada um que presencia seu passar? Sinto dizer, minha cara Maria Amália, que falta-me certeza nessas doses tão violentas, pois amor assim não se mede, não possui uma tabela fixa da quantidade certeira que há de você no amor. Posso supor – se me permitir tal audácia – que o amor em si jorra de você, da sua forma até mesmo estressada – por vezes – em dizer o que pensa, e por ser assim tão inconstante, consternada, mas viva; torna-se a mais evidente representação do amor, sem rodeios, sem gotas, sem dosagens. É então, por certo, que morreremos embriagados com esse oceano de você, nos banhando inevitavelmente do nascer do dia ao som da cotovia mais distante.

Que seja feliz, não apenas nos anos que completa, mas nos sorrisos que estão reservados.

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