Crônicas e Poemas

Reflexão sobre a crítica facciosa nas redes sociais.

12 de setembro de 2013

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Ao ler alguns tweets mais cedo, deparei-me com uma lista imensa de declarações de uma senhora dita “politicamente ativa”, sobre as escolhas de um dado grupo social. Dentre as críticas, afixei-me aos xingamentos para o gosto musical, televisivo e até literário, destacando “pobre só sabe mesmo ler revista Caras, assistir Faustão e dançar funk”. Não obstante tamanha generalização, impôs seus gostos considerados elitistos como única fonte de “salvação” para os desafortunados tanto cultural, social e economicamente. É importante compreender que listar motivos que justifiquem o seu desagrado por determinado gosto/escolha/cultura é totalmente diferente de ministrar críticas generalizadas impondo verdades absolutas. O direito de “não gostar” é pessoal e deve ser respeitado, no entanto, na outra ponta do embate encontra-se o direito de gostar.

Partindo do princípio de não existir uma verdade universal, aplicando paradigmas nos mais variados setores que movimentam a vida em sociedade, e usando da argumentação persuasiva para alcançar o consenso nas relações interpessoais, percebe-se a importância da respeitabilidade das escolhas pessoais dos sujeitos, as quais não ataquem o direito de cada um como ser integrante do corpus social.

Assim sendo, é necessário ter o cuidado ao tecer críticas acerca as escolhas pessoais de cada indivíduo, tendo como fundamento somente as crenças subjetivas – não raramente, alienadas ao conjunto de vivências particulares. Tal ato reflete em inúmeras consequências, como:

a)     o uso errôneo da palavra – um dos meios essenciais para a comunicação – ao ser transformada em instrumento de locomotiva do preconceito (e suas ramificações), favorecendo a segregação das classes e a (injusta) imposição da superioridade de uma cultura perante a outra;

b)    a desvalorização do sujeito com base em argumentos falhos e verdades (erroneamente) imutáveis, e

c)     a imposição de uma escolha pessoal como superior a outras de classes economicamente distintas.

As escolhas que não infringem o direito coletivo, devem ser respeitadas e paulatinamente defendidas.

Ministrar críticas de cunho racial, cultural e social, visando a elevação de um ego, é fornecer subsídios arcaicos para o prolongamento das desigualdades em diversos âmbitos da sociedade brasileira. E doravante, afirmar o despreparo intelectual dos ditos “críticos” das redes sociais.

Em nenhum momento estou censurando o ato de criticar, mas é preciso ter cautela para não cometer injustiças e nem desatinos. A crítica construtiva visa o aperfeiçoamento, enquanto a construção crítica conduz somente ao afloramento de ódios, ressentimentos e satisfação pessoal ou política, passando a ser sediciosa e/ou mentirosa.

Chego a conclusão mais óbvia deste texto, com a tal “libertinagem virtual”, para alguns, a crítica se tornou um elemento pernicioso para a obtenção de vantagens, servindo para agradar egos, e partidário com a injusta.

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