Querido Diário, Slide

Pequeno relato sobre os últimos meses.

11 de Fevereiro de 2018

O fim do ano de 2017 foi marcado por grandes decisões pessoais. Eu passei um longo tempo refletindo em silêncio sobre tudo que havia conquistado até aquele momento. Foi um ato exclusivamente pessoal. Eu tomei a primeira decisão de afastar-me do objeto de análise (EU) e estudar tudo que havia acontecido comigo, as decisões que tomei, como reagi em algumas situações e, por fim, como andavam as minhas reservas de coragem, energia, positividade e afins para o ano que estava se aproximando. O fluxo de informação era bem grande. Então, me concentrei em três perguntas essenciais: (i) Quem sou eu exatamente agora?; (ii) É neste ponto que eu desejava estar quando tomei as decisões anteriores?; e, (iii) Estou feliz neste exato ponto da minha vida?

Parece tolice se preocupar tanto com esses questionamentos. Porém, há um (ou dois) momento(s) na vida em que nos sentimos paralisados, entorpecidos pela normalidade, o cotidiano, o cômodo, que esquecemos dos primeiros sonhos, metas, convicções, e até mesmo de nossas qualidades. Eu havia me perdido em algum momento ou outro no passado e não estava mais contente com a Faah que estava diante do espelho todos os dias. O cabelo me incomodava, as dores em meu corpo me incomodavam, a rotina sem criatividade ou espaço para ser além do óbvio me incomodava. Era como se eu estivesse, ao longo dos anos, atrofiado minhas capacidades sejam elas emocionais, físicas… Eu havia passado tanto tempo querendo não dançar o “minueto”, não me adequar, e acabei indo pelo mesmo caminho da obviedade. Eu não era mais A Faah, eu era como todos os demais. E eu não estava feliz com nada disso. 

Minha primeira grande decisão foi sair do estado da preguiça e aquecer meu corpo. Matriculei-me na academia e iniciei um processo de atividades físicas perfeitas para MEU estilo, MINHA forma de encarar MEU corpo. Não havia mais as comparações ou metas de quilos a serem atingidas. Eu queria saúde, movimento, suor e satisfação, isto é, a perda de peso se tornou secundária. Hoje, vou analisando as mudanças físicas bem sutis, em passos lentos, como se meu corpo e mente estivessem finalmente se entendendo. A relação de amor está se formando com bases fortes, sem precisar castigar meu organismo reduzindo o máximo possível para caber (novamente) em outro grupo, receber um tapinha nas costas de “bom trabalho“. Fico feliz por cada pequeno obstáculo vencido, e comemoro em silêncio, sem nenhum alarde, mas sorrindo, afinal, as vitórias – mesmo as pequenas – são importantes.

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Nesse mesmo período, decidi que não iria mais alisar meus cabelos. Estava cansada de sempre lavar e escovar três ou quatro vezes por semana ao longo de nove anos (ou mais). Eu queria liberdade, leveza e aceitação. Eu não estava mais contente com aqueles fios lisos e finos. Nada ali me pertencia. Sim, era bem mais prático, facilitava bastante minha vida – no começo. De uns anos para cá, os três últimos, eu não conseguia mais obter o mesmo resultado de antes, sempre a raiz estava alta e quebradiça. Ou seja, eu continuava castigando meus cabelos sem alcançar o resultado esperado. Qual era o propósito de todo aquele castigo a cada dois meses? NENHUM! Foi então que pensando mais na relação “vale mesmo a pena?“, entendi que precisava urgentemente descansar meus fios, deixá-los livres por um tempo e só pensar no resultado depois. Encontrar os primeiros cachos, senti-los se enrolar em meus dedos foi como abrir portas, iluminar os cantos escuros da casa. É claro que para muitos não ando “bonita” e sim bastante “desleixada”. Mas nada disso importa agora (e nunca irá importar). Eu estou dando pequenos passos, lidando com a queda de cabelo, os dias ruins em que praticamente nada funciona. Posso dizer que estou redescobrindo meu rosto e parando de esconder meus traços em lances compridos de fios abarrotados de química. São decisões sutis como “meu cabelo acordou sem forma, sem jeito, sem traço algum de ficar legal, ok, vou prender”. Parece tolice, só que não é. Olhar no espelho e entender que está tudo bem você apenas ir trabalhar e que as opiniões dos outros não devem interferir em seu julgamento pessoal é altamente LIBERTADOR. Você passa a entender que enquanto tomar decisões com base no achismo alheio, nenhum resultado alcançará a felicidade. 

Ando me importando menos com as ações dos outros em minha vida. É como se eu estivesse, finalmente, erguendo meu muro de proteção contra todas as pessoas que não adicionam nada de real e positivo em minha vida. Já ocorreram várias situações desde o ano passado que gosto de encarar como a vida anda me testando para saber se não estou alimentando falácias. E não estou! Semana passada, algo aconteceu que deixou-me profundamente decepcionada. Essa sensação durou alguns minutos, nada mais que cinco minutos, e no instante seguinte estava retirando o que havia de bom nas quedas. Eu poderia sim, ter questionado, batido o pé, ter meu direito de volta, ocupar o mesmo lugar de antes. Mas o que eu iria ganhar com isso? O resultado me faria mais feliz? E se essa perda de hoje for ganho amanhã? E acabou meio que sendo, pelo menos até agora. Eu queria poder contar com mais detalhes, infelizmente não posso. O importante é saber que eu levei um belo soco inesperado de uma pessoa que muito dediquei meu tempo. No fim, minha forma de lidar com tudo isso, despertou certa estranheza não apenas nessa pessoa, em todos ao redor. Estou partindo da concepção que devo aprender a cair sempre para cima. Ainda é uma queda, só que jamais irá me tirar do caminho que escolhi seguir. Estou bem. Realmente bem. Acabei percebendo que não posso gastar tanta energia pessoal em algo que não é PARA MIM. EU SOU A PESSOA MAIS IMPORTANTE DE TUDO ISSO, sério! Não é egoísmo centralizar suas melhores energias em você mesma. Eu cansei de dar tanto de mim para os outros, o mundo. Cansei de deixar que todo mundo se aproximasse, retirasse um pedaço e fosse embora. Às vezes, sentia-me como uma bandeja de amostra grátis. 

Também tenho somado separações, distanciamentos. Uma vez ou outra, me pego lutando com a FAAH BESTA. Preciso dizer “Ei, garota, não fale nada, não se importe, não é da sua conta. Apenas faça a sua obrigação e ponto final.” Tenho alcançado bons resultados, na verdade, ótimos – até agora. Volto para casa sabendo que cumpri minha tarefa profissional e não deixei nenhuma energia pessoal espalhada por aí. Isso tem ajudado bastante, principalmente, na correria do dia a dia: sobra mais tempo e disposição para questões pessoais. Ou seja, ando obtendo resultados incríveis em quesito de vida pessoal. Depois de alguns anos dedicando tanto de mim ao mundo, resolvi redirecionar essa determinação para meus planos pessoais. 

Eu sei que o post se tornou imenso, nada poético. A intenção nem era ser qualquer coisa além de um mero post em meu blog. Eu só queria dizer para quem ainda me lê (até para mim mesma) apenas:

“Oi, eu sou Faah Bastos e estou bem. Realmente bem.”

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5 Comments

  • Reply Leca Castro 12 de Fevereiro de 2018 at 8:51

    Caramba… te admiro demais, mulher!! <3

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 12 de Fevereiro de 2018 at 9:46

      Sua passagem por aqui me pegou de surpresa, fiquei muito feliz mesmo!
      Você é um exemplo, espero que saiba disso. Fico em meu canto observando em silêncio suas vitórias e isso é bastante motivador mesmo. Agradeço pelo carinho de deixar aqui uma mensagem que despertou tantas coisas boas.

  • Reply Lu 12 de Fevereiro de 2018 at 9:22

    Oi, Faah!

    Recebi esse post via e-mail e li por lá mesmo. Obrigada por ter escrito isto, estava precisando urgentemente de ler algo assim.
    Também preciso mudar, não estou satisfeita com várias coisas na minha vida e não era assim que eu queria estar quando fiz algumas decisões no passado. Obrigada novamente. Vou repensar minha vida.

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 12 de Fevereiro de 2018 at 9:52

      Oi, Lu!
      O bom da vida é essa capacidade de renovar, redescobrir e mudar, não é mesmo? Nunca é tarde para retornar ao caminho de antes ou criar um novo. Eu sei que parece bem assustador e desmotivador, mas precisamos nos concentrar em alcançar o que desejamos, o que nos fará ainda mais felizes. Não se sentir satisfeita é o primeiro passo para a mudança. O segundo (e o mais importante para mim) é iniciar o processo, é sair do estado de insatisfação e começar a fazer algo para mudar, e quando digo algo não é apenas planejar. Veja quantos planos deixamos inacabados por que simplesmente passamos mais tempo planejando que executando, não é mesmo?
      Você está numa fase muito boa: a necessidade de mudar. Aproveite esse momento e se redescubra mesmo, busque o melhor para você, e claro, evite as sabotagens que surgirão ao longo de todo e qualquer processo.
      Desejo sorte, meu bem!

  • Reply Fernanda Rodrigues 12 de Fevereiro de 2018 at 18:06

    Oi, Faah!

    Achei interessante a estrutura do texto. Seu post é quase um artigo acadêmico (inclusive em termos de enumeração dos questionamentos e de argumentação sobre a necessidade da mudança) e reflete justamente este distanciamento que você exercitou. O final do post se aproxima um pouco mais de algo pessoal; porque, novamente, você se aproximou de si mesma. É legal analisar como a nossa forma de escrita reflete de algum modo o nosso momento. Tenho percebido um pouco disso enquanto reviso o meu livro de crônicas. A vontade de chorar e o fato de não conseguir apareciam no rascunho de alguns textos (que foram lapidados na revisão). Muitas vezes carregamos emoções de momentos ruins que não deveriam fazer parte da nossa bagagem.
    Eu fiquei muito feliz quando vi lá no instagram que você resolveu encarar a transição. Eu imagino que não seja fácil (digo imagino, porque não passei por este processo), mas conheço muita gente que venceu e não se arrepende. O que posso dizer com certeza, é que tenho visto as suas fotos e você me parece cada vez mais radiante. ♥ Isso, independentemente da causa, é lindo.

    Que você continue nessa toada, porque — ainda que não seja o seu objetivo principal — acaba inspirando muita gente assim 🙂

    Beijos,

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