O DOCE VENENO DA AMBRÓSIA

LIVROCAPA

(Capa provisória)

Não foram poucos os poetas que alardearam sobre o fim do amor; cronistas, amantes e até bêbados, já se arriscaram a contar os destroços dos términos amorosos. É com uma carta abarrotada de sentimentos entre as linhas simples, desmistificando a falência do amor que tem início “O Doce Veneno da Ambrósia”. Baltazar, nosso protagonista, traça sua vida a partir da revelação da traição da sua estimada-quase-noiva Sofia, uma mulher indiscutivelmente bonita, abençoada com um charme fora do comum. Após ser presenteado com um par de chifres, as certezas de Baltazar sobre o amor são colocadas em discussão. Ele perde a estabilidade dos seus próprios sentimentos, e, ao longo do romance, revive dores, sensações, histórias, e decisivos períodos necessários para trilhar a sua nova estrada. Munido pela vergonha e covardia, aleijado de capacidade em conseguir encarar a sua ex-musa a desfilar pelos corredores do jornal em que trabalha, Baltazar aceita ser responsável pela biografia de um dos poetas mais renomados da literatura nacional, Rubens Andrade, conhecido pelo seu estimável cartel literário e sua antipatia com jornalistas.

Página a página, cena a cena, entre as ruas de estilos coloniais, mergulhando nos costumes de uma pequena vila fictícia, no interior de São Paulo, Baltazar encontra, não apenas o seu refúgio, mas o confronto necessário para o seu despertar. Apaixona-se proibida e irremediavelmente por Eleonor, uma jovem cuja a vida ainda não começou completamente, dona de uma lista imensa de sonhos que aguardam à sua vez, enquanto ela luta internamente para medir suas ações, jamais confrontando os planos estabelecidos pelos seus pais. Nasce um amor regado de poesia e revelações, lutando contra a diferencia de idade, e o entusiasmo pela vida.

– Parece que o mundo corre de nós – disse com os olhos serenos, observando as árvores do lado de fora do automóvel.

– O que quer dizer?
– Veja! – indicou o caminho através do vidro da janela. – Dá a impressão que estamos parados e o mundo em constante movimento. Não tem medo, Baltazar?
– Medo de nós? – sondei receoso.
– Não, não – negou pensativa. – Medo do mundo.
– Algumas vezes – confessei.
– Eu também tenho, Baltazar. Tenho medo do mundo não entender o que estamos prestes a fazer.
– E o que estamos prestes a fazer? 
– Viver.

(O Doce Veneno da Ambrósia, pág. 226).

Na narrativa de Baltazar, há um recuo de tempo sistemático, oscilando entre a trama do ponto de vista do jornalista, e de um outro narrador, revelado ao fim do romance, sobre a visão que Eleonor tem do mundo. Assim, o leitor vai topar com um romance que dá importância aos demais personagens, como essência para as vitórias e derrotas de Baltazar, nosso anti-herói. Entre as conversas com Rubens, Baltazar descobre um novo laço que o une com a poesia, e, posteriormente, com seu interior.

– E o amor?

– O amor me dilacera, Baltazar.

(O Doce Veneno da Ambrósia, pág. 161).

“O Doce Veneno da Ambrósia” resulta numa fusão de vários corações angustiados e esperançosos, dispostos a tropeçar e prosseguir pelo amor. E, aos poucos, em lentos passos, Baltazar, Sofia, Eleonor, Silvia, Rubens, Igor, Amália e Antunes, se reencontram e se preenchem, assim como os momentos da nossa vida.

“Eu via em seus gestos discretos que as distrações da vida eram propositais, e eu prosseguia naquele faz de conta perfeito, diante à luz das minhas verdades, afastando-me das dores, da única verdade que poderia ser absoluta: Sofia estava deixando de me amar. Mesmo quando em noites comuns, a fodia com toda a vontade que existia em mim, mantendo-me laborioso e ausente, ao mesmo tempo, enquanto contemplava os seus olhos fechados, diante o espelho, com suas mãos espalhadas na parede, uma das pernas erguidas a altura da minha cintura, penetrando-a apenas com fúria, com desejo, esquecendo completamente a premissa básica que nos manteria apaixonados – ou pelo menos, ela apaixonada por mim. Eu tinha pressa em domá-la, deixando marcas avermelhadas nas curvas das suas pernas por tanto puxar a calcinha que faltava vontade – ou paciência – para tirar. Tantas outras vezes, o trâmite sexual era tão desprendido de corpulência, desenvolvimento, que nem chegávamos a suar, somente expelíamos – pelo menos em meu caso – fluidos que significavam a minha incapacidade em ser mais homem do que uma mera junção de esperma. Não fazíamos amor, mantínhamos uma relação profissional, e o desapego era evidente assim que terminávamos, quando a libertava de me sentir dentro dela, como partes bilaterais compostas pela obrigação em cumprir um contrato que fora assinado sem antes ter sido lido com cuidado. E eu aceitava, com resignação, os falsos orgasmos que ela produzia.”

(O Doce Veneno da Ambrósia, pág. 164).

2 Comments

  • Reply Irana 29 de dezembro de 2012 at 16:35

    Maravilhada!!

  • Reply Giovanna 13 de maio de 2014 at 19:09

    Professora, eu estou simplesmente maravilhada com seu jeito de escrever, de expressar o que estão sentindo, cada gesto, cada palavra e isso dar aquele gostinho de quero mais. Bom, eu também escrevo e pude me identificar com seus livros, vou procurar ler todos e me atualizar com suas historias.
    Amei demais como você relatou uma cena de sexo de uma forma desapegada, sem amor e como escritora sei como isto é difícil, por que de alguma forma há sempre algum sentimento e isso foi o que mais me surpreendeu e estou maravilhada.
    Um grande beijo!

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