MORRER TÃO SOMENTE

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Optei, solitariamente, por me desgastar, secar até a última gota, arrancar o âmago de cada sentimento em mim. Sentir tanto assim, sem corte, sem promessa, somente sentir demasiadamente, até mesmo o seu cheiro entre o vento mais calmo ou a brisa mais intensa, não importa como, mas tenho sido sobressaltada por cada memória oriunda de você. Assino, pois sim, esse contrato estúpido de prosseguir sozinha, tropeçando nos vazios que se formam, como calabouços dentro de mim – um calvário suspenso em meus olhos, um pesar de passos que afundam. Vou trilhando estradas, recapitulando as estrelas com a finalidade de descobrir uma nova, que seja você lutando para parar o tempo, refazer o nós, os dotes do amor e quem sabe você. Mas me foge entre os dedos a verdade que buscava, a sensação de segurança que não habita meu corpo, se despede assim tão sem solenidade da minha alma e caminha solta por entre as árvores de uma floresta densa, inabitada pelo que acreditava ser amor.

Pois cansa. Cansa tanto amar sozinha; amar com palavras e fazer amor com minhas rimas, como se você fosse somente fruto da minha imaginação, sem existir no mundo lá fora, talvez por isso tenha me trancado aqui dentro, dessa forma não perderei você. Eu queria ser a sua supernova, a reconciliação dos planetas, ser qualquer coisa no espaço de tempo entre você e eu buscando sempre aquele nós de histórias de amor, dos romances épicos, mesmo se findando com a morte dos corpos, com o calar de corações. Morrer não é apenas permanecer um coração em silêncio, é despedaçar ainda com vida, é chegar ao fim quando ainda respira, é não lutar por ausência de força quando espera a chegada da cavalaria. Morrer dessa forma me causa mais dor do que o silenciar do meu coração, dos batimentos decretados através de uma cláusula pétrea a você; morrer de tal forma que ninguém perceba o brilho fúnebre que há em meus olhos que ansiavam somente tecer rotas para encontrar você. Morrer… sem prelúdio me faria melhor. 

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