Crônicas e Poemas

FRAGMENTOS

1 de junho de 2012

“(…) meus pais acreditavam que quanto mais ficamos distante das memórias carregadas, mais seremos capazes de prosseguir sem muitos arranhões. Eu ainda não tinha uma opinião formada sobre esse ensinamento, e bem provável que discordaria se naquela época entendesse, mas hoje, sentada em minha poltrona favorita, sentindo o frescor da tarde balançar as folhas do pessegueiro que plantamos no primeiro ano que nos mudamos para essa casa, posso afirmar que iria discordar. Meus pais não estavam certos sobre a teoria do afastamento, as dores não se preocupam com distâncias territoriais, elas nascem dentro de nós, aglutinam-se à tudo aquilo que nos mantêm vivos e despertam suas chagas ao longo do tempo. As dores não pertencem aos lugares, ao tempo, mas ao nosso coração e é evidente que não podemos nos separar dele – pelo menos não enquanto vivermos.”

— Trecho do romance “O Jardim de Tulipas Negras”

 

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