Crônicas e Poemas

EGOISTICAMENTE SUA

21 de agosto de 2012

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São 4 da manhã. Não consigo dormir, sabendo que ela está ao seu lado, deitada na cama que deveria ser ocupada pelo meu corpo, espalhada entre os lençóis finos que escolhemos juntos, em uma das nossas visitas ao mercado central. Se eu fechar os olhos, posso sentir o cheiro forte do perfume dela escorregando para o seu corpo. E eu sei, você tem lutado para não ceder aos caprichos da sua mulher, pois é exatamente isso que ela é: a sua mulher. O que me restou diante de todo esse holocausto? Um espaço permanentemente vazio nas pilhas e pilhas de memórias, na cama arrumada que não ouso voltar a deitar. Pode me chamar de sentimental demais, exacerbada em meus pensamentos, mas tenho a convicção que se permitir que a vida volte aos seus trilhos antigos, jamais voltarei a ver o seu rosto novamente, esparramado em minha janela naquelas tardes quentes do verão passado. Fomos tão felizes, intensos, apaixonados. Ainda não compreendo como tudo se acabou. Apenas lembro de ela estacionando o carro na frente da sua casa, eu esgueirada na janela do meu quarto, admirando as curvas maduras daquela mulher se dirigindo para o seu refúgio.

Os dias que se seguiram foram os piores de toda a minha vida, e acredito não ter dor pior do que ver o homem que amo partindo nos braços de outra mulher. Algo dentro de mim despedaçou completamente naquele momento, eu conseguia ouvir o som do meu coração se desfazendo em partículas. E como um tremor que ainda prossegue após algumas badaladas de um sino, eu continuei estremecendo ao ver seu carro sumir na esquina da rua. Eu juro que pensei em correr atrás de você, fazer uma cena digna de cinema, mas a vida não imita a arte, e eu jamais fui uma heroína com força suficiente para lutar por você. Eu sou daquelas que acredita no amor sem guerra, sem conquistas territoriais, sem precisar enfiar uma bandeira e dizer que é minha pátria, afinal, você já sabia que me pertencia – pelo menos eu acreditava que sim.

Estou contando isso porque preciso que saiba que serei uma mulher melhor, capaz de lutar por aquilo que ama. Eu sei, olha só para mim, sendo tão clichê, tão nova e ingênua. Mas foram essas as características que mais lhe agradavam, não é mesmo? Em qual esquina ou momento nos perdemos? Eu só queria saber. Ah, meu amor, se tudo sobre nós se resume a horas, minutos, que sejamos capazes de escrever romances com o pouco tempo que nos restou após aquele verão inesquecível.

Nessas madrugadas solitárias, sempre sou atingida pelo seu cheiro, e isso me entristece. Ela aí ao seu lado, adormecida… Que mulher tola! Lembra-se quando não fechava meus olhos por toda a noite? Passávamos horas nos amando, nos entregando, redescobrindo rotas para o amor. Preciso confessar, meu amor, eu não dormia com medo de perder você, de acordar e perceber que tudo não passara de um sonho. Hoje, eu durmo torcendo para acordar desse pesadelo. E se, apenas e se, eu ainda tiver algum poder, por menor que seja, sobre você, quero que goste dela, retribua os carinhos, mas por favor, meu amor, jamais a ame. Por favor, jamais a ame, pois não serei capaz de suportar os seus lindos lábios amando outra além de mim.

Egoisticamente sua,

E.

 

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