Crônicas e Poemas

Dias cansativos.

19 de Maio de 2014

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Ultimamente tenho sofrido com pensamentos em fatias, tudo muito aleatório e fora dos eixos possíveis. É uma ideia rabiscada aqui, outra acolá, nada firme, com vontade de se segurar na linha e fazer moradia. Parte desse emaranhado de palavras soltas, é culpa do cansaço. Confesso que tenho praticado trabalho compulsivo, como diria uma amiga. Idas e vindas de uma sala a outra, mergulhando em mentes, vasculhando regras, passando o que sei e querendo que todos busquem mais, e etc… Não sobra muita disposição para encarar os raciocínios mais profundos, aqueles que me fariam navegar em novos contos, encontrar anti-heróis favoritos. Para piorar a minha conta e deixar tudo mais desigual, faz bastante tempo que não leio. Minhas crianças adotadas se encontram na estante lutando contra a poeira de três ou mais dias. Se me aventuro a ler, perco a viagem no meio do caminho, me rendo ao sono, e na manhã seguinte acordo envergonhada, sem vontade de olhar no espelho o reflexo de uma pessoa com paixão guardada e sem uso. Ando me mantendo nessa esfera de cansaço, e as fatias de pensamentos não formam um círculo completo. Vontade de gritar que preciso de um tempo, não me falta, o que falta mesmo é espaço para um grito. Vivemos em uma sociedade sem lugares reservados para belos gritos que favoreçam a libertação das tensões desnecessárias.

Semana passada, encontrei a decadência: preguei na parede do quarto, ao lado do quadro do Elvis, uma foto de Buenos Aires – uma fonte de inspiração, um lembrete que em breve todos os esforços terão valia. A viagem romântica é como minha redenção e encontro com a paz, só que até lá o caminho não será um dos melhores. Se eu queria ser uma dessas pessoas que precisam de motivação? Não. Claro que não! Mas agora sou, o que se pode fazer? Reclamar da vida não é uma escolha, já passei da fase de achar no outro o motivo para as minhas tragédias.

E nessas fatias, para minha sorte, ainda sobra o amor. Talvez o único combustível que realmente me locomove, dá forças suficientes para erguer o corpo pesado e encarar a cidade apressada, os transeuntes de “cara fechada”, os barulhos das buzinas, carros de som e lojas com queima de estoques que nunca acabam, o sol querendo derreter toda a minha maquiagem e cegar meu caminho… É o amor, em doses suaves – se transbordar me afogo –, vai tecendo as linhas delicadas de um pensamento aqui e outro para mais tarde.

Não posso desejar mais 24 horas, a soma do tempo para um dia está suficiente. Quero mesmo é menos dias de trabalho no somatório e mais de férias, aí sim, quem sabe, a conta volte a ficar equilibrada.

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