POEMAS |
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MORRER COMPLETAMENTE

Morrer. Morrer de corpo; Morrer de alma; Morrer de amor não correspondido; De peito escancarado. Morrer, assim tão completamente. Morrer sem deixar rastros das dores sentidas, despojo da carne, Uma máscara de cera que tenta esconder as faces ocultas da verdade. Morrer sem pena e descansar em um túmulo cercado de flores, Que murcharão – [...]

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LÁGRIMAS MERENCÓRIAS

Nessa doce imagem Que nenhum mortal observou, Nascem as juras da nossa paisagem Que meu peito arrebatou. São prelúdios amorosos Dos carinhos amaldiçoados Pela boca que desagua Em mim provérbios enamorados. Transformam-se em cataratas densas Como manta de cristal, Fascinações suspensas Em olhos de menina – metal. Indiferente, taciturna, Uma alfaiataria de tristeza. Aprisionada em [...]

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QUANDO A MORTE NOS VISITAR

QUANDO A MORTE NOS VISITAR Que ninguém se engane Quando a morte nos visitar. Ela estará coberta com a manta Que minhas lágrimas ousaram fabricar. Quero que Deus bem saiba Dos pecados tão meus, Todos foram frutos da minha paixão Ansiando os beijos seus. Que ninguém se engane Se a morte não me levar, Malvada [...]

MINHA ESPERA

No momento da despedida, Deixo o adeus reprimido Entre os lábios ressecados. Enrubescida, prossigo meu caminho, Tropeçando nos recomeços. Mesmo partindo tenho consciência Da brevidade, da efêmera sensação de paz, Da inconstância. Imagino um retorno breve aos laços Que nos uniram. Prego uma força Desconhecida por um coração Petrificado. Resisto pouco. Canso, por fim, de [...]

O ABISMO

Ando tecendo palavras ao redor do meu caminho. Tropeço, muitas vezes, nas repetições – faltam-me sentidos. Vou lançando meus versos no abismo mais próximo; é evidente que a queda será em breve, mas não haverá chão que não me aguardará. Serei apanhada pelos versos embriagados, com palavras fora do lugar, com repetições de sentimentos. Tudo [...]

MOTIVO UM

Ele sabia me guiar, mesmo quando estava longe de mim. Ele sabia me segurar, mesmo quando suas mãos me faltavam. Ele sabia me sentir, mesmo quando seu coração se calava. Ele sabia me ouvir, mesmo quando o vento gritava, arranhava o vidro da janela do meu quarto. Ele sabia me compor, mesmo quando lhe faltava [...]

ALMA

Eu sou uma sombra; massa disforme que escorrega pela casa, encobre seu corpo, aglutina sua alma, deglute, digere, e ao mundo lhe devolve, no mesmo corpo, com rachaduras, perdido entre linhas divisórias, faixas territoriais sem sentido. Eu lhe devolvo ao mundo, agora, meramente convertido.

OS LÁBIOS

Ela permaneceu imóvel enquanto os lábios do seu amado lhe contavam, em silêncio, segredos. TEXTO RELACIONADOS:[TEXTO] Escrever com sensibilidade SOMENTE AMOR SE APAIXONAR É UMA CONSTANTE ESPERA? OS NAMOROS NÃO DEVERIAM ACABAR NA MADRUGADA OS LIVROS ME SALVARAM!

UMA JORNADA CEGA

De tanta melancolia e tanta inspiração Que exaltavam as minhas feridas, Ardiam sem conforto… Restaram-me as palavras evasivas, Uma sombra esvaecida, um beijo Esquecido na parte do vinhedo Que transbordou da taça. Sobrara somente um corpo, Que ainda agonizava. Resvalar na sepultura O sofrimento que em sonetos Se concretizaram. Sofrer! é eternizar a saudade De [...]

CANÇÃO POLIFÔNICA

Há tantas vozes em mim que às vezes me pego bailando uma canção polifônica, acompanhada de rostos desconhecidos que não se repetem – perdidos na imensidão do salão da minha memória. Sou uma refugiada da minha própria palavra, e nem minha voz reconheço mais dentre tantas que em mim se concretizam. São gritos ou gemidos [...]