Crônicas e Poemas

CARTAS DE AMOR EM BRANCO

3 de julho de 2012

500tex

Meus olhos não se cansam de encontrar suas cartas de amor em branco, varrem a casa em busca de vestígios concretos da sua presença ou que um dia em um passado distante, você por aqui andou. Tenho necessidade de provar ao meu coração que sua estadia em minha vida não fora somente uma loucura constante dos meus dedos que enlouqueciam a escrever sobre nós, nas páginas velhas daquele diário que você escondeu. Sempre tenho medo de ser laçada pela incerteza como uma borboleta com as asas quebradas, incapaz de voar para longe da verdade que anda tentada a gritar ao mundo que você é fruto da minha solidão. Mas como pode, amor? Como é possível ser sonho quando sinto o sabor delicado dos seus lábios a caminhar por minha pele pálida de amor, tão alva como se a própria lua houvesse decidido que habitaria apenas meu corpo, os caminhos epiteliais das minhas vergonhas que se tornaram íntimas dos seus dedos por tanto tempo?

Não tenho força suficiente para provar que você não fora somente um pássaro azul que pousou em meus cílios, cerrou as pálpebras da minha sabedoria e certeza, e voou assim que o dia nasceu após longas semanas de amor em pleno escuro. Tragédia, com certeza. O amor sempre se finda em uma tragédia inusitada, dois corpos se amam, e um vai ao chão. Mas dessa vez não ouso sussurrar sequer uma palavra sobre a morte inevitável do meu sonho, dos montes perfeitos que escondiam seus olhos do mundo, aprisionando sua presença apenas em mim, em nossa casa, agora somente minha. Será que apenas meu coração desesperado em batimentos apressados não serve como prova concreta da existência de um homem que levou as rimas do meu poema inacabado?

A primavera tem chamado meu nome, meu pássaro azul, porém tenho medo de sentir o calor do sol em minha pele ainda malucada por suas juras; medo de me perder no mundo, assim como o resto da humanidade, e esquecer a magia de amor que descobri contigo entre sonhos.

Fica aberta a janela à espera que você volte.

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