Projetos & Trabalhos, Sobre Amores & Partidas

Sobre Amores & Partidas.

4 de março de 2017

Hoje ao voltar para casa percebi a solidão pintando as paredes com a nossa memória. “Quanta crueldade”, pensei. No entanto, fui incapaz de impedi-la. Apenas ocupei seu antigo lugar na poltrona – que recusou levar junto com minhas esperanças quando resolveu partir. Afundada naquele móvel repleto de marcas sobre sua existência e estadia em minha vida, chorei. Chorei não por saudade, culpa ou arrependimento; chorei sem determinar a natureza de minhas lágrimas; chorei porque gritar causaria um transtorno desnecessário aos nossos vizinhos. E ao chorar esvaziei-me quase por inteira. É um esforço estúpido andar pelas ruas carregando tanto sobre você, acumulando memórias, resgatando beijos passados (…); é desperdiçar minha força quando sou a única a lutar uma batalha já perdida.
Algo secou em meu rosto, talvez a ausência de sua voz rouca ecoando pelos cantos da casa, seu cheiro de homem ocupando os espaços aéreos, sua presença quente em nossa cama…
E a cada pincelada o futuro explodia.
Algo morrera no canto da sala. Nem as portas e janelas escancaradas seriam suficientes para expulsar o cheiro de nosso passado. Esta era a certeza que restara: aquele espaço estaria para sempre marcado por sua presença – você entrou em minha vida, em meu lar, em meu corpo, mudou as fotografias de lugar, registrou suas memórias e acrescentou histórias em minhas páginas. Mudou meu ambiente; mudou meu coração. E ao partir levou consigo as mesmas certezas que rodopiavam o ar quando nos beijávamos. Meu espaço mudou você e consequentemente havia transformado o lugar. Não me resta mais um refúgio. Estou desprotegida contra as ações do tempo, da espera, do incerto, dos holocaustos sentimentais, dos acidentes românticos. É capaz de tropeçar em alguma paixão efêmera enquanto espero o sinal abrir e seguir. E se eu tropeçar? E se eu cair? Para onde retornarei se em minha casa tudo me lembra você?
Dei-me por mim que não há mais você, não restou um nós. Só há cinzas, móveis e memórias.

Crônicas, One photo by Week, Slide

Sobre as coisas simples da vida.

4 de março de 2017

Fim de tarde de uma quinta abençoada.  #sky #sky☁ #sky_perfection #vsco #lgg4

“Talvez todos nós estejamos perdidos girando em nosso próprio eixo, ou pior, em alguma órbita invisível

– despreparados e solitários contornando a imensidão da vida, em uma busca frenética e selvagem para conseguir segurar na calda de algum cometa.
E, ao olharmos para a vida, temos a consciência de nossa insignificância. Somos (inacreditavelmente) pequenos.

Não obstante, desejamos mergulhar em sua imensidão e, quem sabe, sermos capazes de nadar.
Assim, seguimos perdidos, fragilizados e nos afogando em ondas turbulentas em alguma galáxia dentre tantos possíveis outros universos.
Um dia encontraremos o caminho de casa.”

Crônicas

Pequenas lições acadêmicas.

4 de março de 2017

Deixe-me compartilhar com os senhores algumas lições bacanas sobre a vida adulta no meio acadêmico:

(i) A profissão que os senhores escolheram/escolherão seguir não define/definirá seu caráter.
(ii) Fazer uma graduação não irá transformar ninguém em uma pessoa melhor. A bondade, sinceridade, empatia, reciprocidade, humildade são princípios básicos aprendidos ao longo da vida. Alguns são vitoriosos em tal jornada; outros, no entanto, fracassam tão jovens.
(iii) Ao falar em graduação, tenham em mente que nenhum curso é melhor que outro. Todos os indivíduos são necessários para sustentação/evolução da sociedade.

Por que cito tais lições? Porque é absurdamente comum, no primeiro semestre, as mentes mais fracas, fragilizadas, serem consumidas pela fantasia de “somos superiores aos demais”. Os senhores serão ludibriados por falácias sobre superioridade profissional e o quanto devem mudar SUAS PERSONALIDADES E ESQUECER AS PARTICULARIDADES (os detalhes que tornam cada um dos senhores únicos) para se encaixarem em um padrão de meros repetidores de conhecimento acadêmico.
As mudanças evolutivas de uma sociedade estão intrinsecamente arraigadas ao processo de conquistar o mundo sem tirar os pés do chão. Olhar demasiadamente para cima, acreditar que o conhecimento adquirido ao longo de um curso os tornará indivíduos melhores que outros, é olvidar cinicamente das ideias básicas do “conhecimento prudente para uma vida decente” – aquele que teve a oportunidade, seja por mérito acadêmico ou financeiro, não deveria usar o SABER (a ciência) como instrumento de opressão, tampouco para repetir discursos que pregam a supremacia dos privilegiados.
Para alcançar o ápice do saber é preciso, antes de tudo, SER.

Crônicas, Projetos & Trabalhos

Educar está muito além de ensinar regras.

12 de novembro de 2016

Educar está muito além de ensinar regras. É preciso entender a responsabilidade que cada professor tem em mãos. 
Durante o processo da busca pelo conhecimento, como detentora do saber, devo administrar os instrumentos que facilitam a construção do pensamento de forma justa e libertadora. Não tenho o direito de imperar minhas crenças e opiniões pessoais sobre qualquer assunto, pois devo aos meus alunos o direito da autonomia do pensamento. Se (somente se) desejo ensinar para dominá-los com minhas crenças (sejam filosóficas, sociais, religiosas, políticas…) estarei criando apertadores de parafuso do saber, não indivíduos capazes de equilibrar os sensos (comum e crítico) com o conhecimento científico. Por fim, terei falhado como professora e indivíduo. Eu não tenho autoridade e nem arrogância para determinar o que é certo ou errado para os meus alunos. É de minha suma responsabilidade auxiliá-los durante a busca do saber libertador, renovado, reflexivo, igualitário e inclusivo. Não sou, por fim, responsável por abrir as janelas do pensamento, mas ensiná-los as diversas formas de fazê-lo. 
Deixo aqui meu sincero pedido aos futuros professores: os senhores não são donos do conhecimento, não estão em totalidade sempre corretos e seus alunos não são instrumentos de suas vontades pessoais. Respeite a diversidade, principalmente do pensar. Ensine-os a serem livres. Nossa sociedade carece de indivíduos autônomos, escritores de sua própria história e idealizadores. Não contribua para o aumento de mentes bestializadas. Seja um verdadeiro professor.

 

Projetos, Projetos & Trabalhos, Slide

Meu novo livro – INDOMÁVEL – no Wattpad.

10 de outubro de 2016

Eu já escrevi dois romances – Sol em minha Noite e Sobre Todas as Coisas que Deixamos em Branco –, e, depois de um longo tempo planejando uma nova trama, eis que surge INDOMÁVEL. A ideia era um pouco antiga, mas fui desenvolvendo seus detalhes por um longo, longo tempo. Como fiquei cansada da obrigação de lidar com editoras, manuscritos e outros, resolvi apenas escrever e lançar ao mundo de forma bem livre e independente. Fiquei farta de tanta enrolação e demora. Eu amo escrever, criar personagens, tramas, romances, beijos… E escrever para ficar em uma gaveta nunca foi meu objetivo principal. Depois de alguns debates psicológicos e silenciar meu sonho de ser uma escritora de sucesso, resolvi postar meus trabalhos na plataforma WATTPAD.

Para quem não conhece, o Wattpad é uma comunidade online para escritores e leitores. É bastante simples. Basta criar um perfil, gratuitamente, e acompanhar diversos escritores e suas obras. Até mesmo alguns livros de sucesso nasceram nessa plataforma. Além de acompanhar pelo navegador de seu computador, você pode baixar o aplicativo em seu celular, Android ou IOS.

Em meu perfil você encontrará dois romances: Sobre todas as coisas que deixamos em branco, já concluído; e, Indomável, ainda em desenvolvimento. Todo o final de semana tem capítulo novo. Você já pode conferir o Prólogo e os três primeiros capítulos.

Quer sentir um gostinho? Leia o Prólogo, de Indomável :

“Se você resolveu abrir este envelope depois de perceber que sozinha será complicado seguir em frente, então tenho um convite a fazer. Largue tudo. Deixe cada pedaço de quem é agora exatamente aí, junte apenas o necessário e vá. Leve consigo as memórias, caso não tenha coragem de se desfazer de cada uma delas. Tudo irá acontecer no tempo certo. Conte suas feridas, os hematomas, as marcas profundas e vá embora. Aceite meu convite e embarque sem medir as consequências. Esqueça os laços aqui. Eu não posso ajudar sem que antes você perceba que é a única pessoa capaz de determinar o quanto existe de força em seu coração. Partir nunca é uma escolha fácil, mas, às vezes, é preciso. Só tenho a dizer que você deveria se encontrar, saber o que precisa, mergulhar fundo em você mesma, deixar de navegar em oceanos rasos. Apenas vá. Mergulhe. Respire. VIVA.

Por favor, viva.”

Gostou? Para ter acesso ao livro, basta clicar aqui: