Crônicas, Projetos & Trabalhos, Slide, Sobre Amores & Partidas

Seu coração é como uma casa bagunçada.

17 de julho de 2016

Crônica retirada do livro Sobre Amores & Partidas. 

Veja seu coração como… Hum…

Imagine que você deu uma imensa festa em sua casa, ok? Você sorriu, se entregou, foi hospitaleira e deixou que entrassem em sua casa, em seu lar, em seu refúgio. Comeram de sua comida, beberam de sua bebida, repousaram em sua cama. A música acabou, o sol apareceu, a noite se foi. Todos foram embora. Você ficou. A sala está uma bagunça, os lençóis da cama sujos, o quintal um desastre. A casa casa bagunçada é como seu coração machucado. Existem duas opções:

Deixar assim e morrer soterrada pela dor, sujeira, as memórias acumuladas no canto da sala… Em alguns dias, o cheiro dele estará em tudo, até nas roupas limpas. As fotografias espalhadas pelas paredes serão como fantasmas responsáveis por assombrar seu presente. E tudo, minha cara, ficará pior. Você se queixará da falta de disposição e energia para mexer nas caixas de recordações, porque qualquer vacilo poderá derrubar seu coração numa cascata de histórias sobre vocês, sobre o quanto – em algum momento remoto do passado – foram felizes, de alguma forma. As pilhas e pilhas de lamentações, choros dobrados, soluços incontidos, arrependimentos e mágoas formarão um imenso muro que bloqueará as janelas de sua casa – você não verá mais o sol, nem sentirá o vento da tarde, o balouçar das folhas nas árvores, os galhos secos ao sol –, e não haverá como abrir a porta. Sem rota de fuga, sem condição de receber alguma visita de, sei lá, algum amigo prestativo que esteja disposto a ajudar com a limpeza.

Ilustração da talentosa Sara Herranz.

Ou começar aos poucos, sem exigir demais de sua disponibilidade, afinal, há um coração fragilizado dentro de você. No entanto, é preciso arrumar o estrago, tampar os buracos nas paredes, remover as fotos, limpar a pia, jogar as roupas e o cheiro fora. E enquanto estiver focada em arrumar toda sua vida, seu lar, reorganizar as defesas pessoais; alguns poucos amigos entenderão o quanto você precisará desse tempo de renovação, de buscar equilíbrio, de se fechar um pouco mesmo que não deseje a solidão. Raros serão os dispostos a levar o lixo para fora, junto contigo. A responsabilidade é sua, jamais esqueça. Toda a ajuda é bem-vinda, mas não espere que o outro limpe sua casa, tome as rédeas e determine o que fazer com todo o estrago deixado como herança. A casa é sua, amiga; limpe você.

É claro que precisamos pensar em alguns possíveis obstáculos como você não saber varrer, o que nesse caso seria a sua suposta capacidade de curar o seu próprio coração. Não fique bolada. Não saber e não ser capaz são atribuições bastante distintas. Ninguém nasce com capacidades sentimentais específicas, como “ei, fulano é ótimo em assuntos sobre coração quebrado”. Você apenas nasce (ponto aí). Ao longo da vida desenvolverá (ou descobrirá) capacidades, habilidades, talentos, experiências, desastres. O fundamental é tentar, não desistir quando tudo parecer complicado demais. É preciso ter esperanças quando o assunto é amor. Pense comigo, ok? Você tem um coração, eu também, não acha um puta de um desperdício ter algo tão lindo, ser capaz de sorrir e não voltar a amar? Não é mesmo?

Pegue a vassoura, abra seu lar, jogue todo o lixo fora e limpe seu coração. Quem sabe trocar as certezas do lugar seja uma opção? Ou melhor, quem sabe você deveria ter novas certezas, quebrar padrões e apenas ser?

Sua alma é seu lar. Seu coração é seu refúgio. Cuide-se de dentro para fora – leve o tempo que precisar. Se a dificuldade apertar, grite por ajuda. Você jamais estará sozinha na jornada da vida.

Ah! Não esqueça das flores para enfeitar a alma.

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Sobre a tal coragem de amar.

17 de julho de 2016

Crônica retirada do livro Sobre Amores & Partidas.

Eu tenho períodos de total descaso com minhas redes sociais, pouco tempo depois me sinto absurdamente motivada de dar o ar da graça de minha existência para todos os queridinhos amigos “virtuais”. E, foi num desses surtos de exibicionismo que, sem querer, tropecei este meme:

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A princípio, fiquei um tanto envergonhada, afinal, não me encaixo nesse tipo de pessoa que ama uma louca e extravagante manifestação de amor, já que eu estaria no grupo de “gente fria pra mim, é gente morta”. Segundos depois, quando realmente parei para pensar no quão é absurdo esses dizeres, compreendi que não sou uma pessoa fria. Bem, até posso ser diante dos olhos de quem não me conhece (mas aí já nem tem relevância, não é mesmo?), porém, dentro de mim há uma imensidão de sentimentos lindos que compartilho com aqueles que julgo merecer (lê-se: fazem por merecer).

Não! Eu não gosto de textão (sim, mas já escrevi alguns por amor), raramente posto uma foto com meu marido, não gosto quando ligam para mim, enchem de mensagens no whatsapp, nem quero ninguém gritando na porta de minha casa. Eu gosto do silêncio, da troca de olhares, do toque amigo, da sensação de compartilhar um mundo sem precisar dizer uma única palavra. E, cá entre nós, o que há de errado?

“Eu gosto do silêncio, da troca de olhares, do toque amigo, da sensação de compartilhar um mundo sem precisar dizer uma única palavra.”

Vivemos tempos difíceis, meus caros. Tempos em que estão por aí distribuindo tutorial autoritário sobre como amar, e pior: sobre o que é amor. Se amo igual, estou dentro; se tenho minha forma particular de amar, estou fora. Quando foi exatamente que passamos a concordar com toda essa baboseira?

Com um pouco de criatividade, alguns sertanejos românticos e boas doses de estrelismo, fazer um textão sentimental é bem fácil. Mandar um áudio encorpado e meio que tropeçando nas palavras é ainda mais fácil. Mandar indiretas para aquele tal amor que resolveu tocar o “foda-se” é ainda mais fácil. Mas amar não é nada disso, não é mesmo? Ou melhor, não é SÓ isso. Amar é ter coragem (ponto aqui). Amar é ir além mesmo quando você se sente cansado ou desmotivado, afinal, é através do amor que você abastecerá sua carga de energia.

“Amar é ter coragem (ponto aqui). Amar é ir além mesmo quando você se sente cansado ou desmotivado (…)”

Veja bem, não estou aqui tomando o lugar de quem antes me oprimiu – indiretamente – com o meme. Longe de mim, queridos. Estou mesmo é abrindo o leque de possibilidades, de novas formas de ver o amor em sua essência – sem friluras, rodeios, joguinhos e indiretas. Eu gosto do amor natural, o mesmo amor que me acorda com um beijo, e, sem escovar os dentes, diz “eu amo você” – com todas as letras, sem tropeçar, sem falhar, sem olhar para o lado; o amor em sua versão mais simplista e especial, quando rompe a porta de casa dizendo “Vivida, eu cheguei. Que saudade”!; o amor que me beija na testa na frente das demais pessoas, não por sinal de possessividade, mas numa tradução física do “eu estou aqui por você”; o amor sem birras, que não vai dormir brigado, nem se encolhe nas paranoias e suposições – o sincero!

“Eu gosto do amor natural(…)”

Eu não sou fria só porque amo para dentro e compartilho o que sinto bem baixinho. Não há nenhum manual prático sobre como amar, e acaso existisse, eu seria uma dessas rebeldes com militância própria incapaz de aceitar que o outro diga como devo ou não sentir. Eu sou direta, seleta, reflexiva, mas nunca fria. Jamais. Há dentro de mim uma fogueira poética alimentada por detalhes românticos que rodopiam minha vida. Eu sou portadora de um amor livre que, se bem eu quiser, pode ser escândalo ou silêncio sem avisos prévios, sem receio do achismo, dos julgamentos.

Eu respeito a sua forma de amar exacerbado, que transborda; mas não queira dizer que a minha forma (ou muitas delas) de amar não tem coragem. Eu vivo esbanjando amor baixinho, em sussurros, em assovios. Eu amo-passarinho, e nem por isso deixou de amor-ninho.

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Entre caixas e vazios.

12 de julho de 2016

 Trecho do livro Sob o céu de um Crepúsculo.

“Um dia, alguém entrará na sua vida e te fará entender o básico: você só estava esperando a pessoa certa”, quantas vezes eu tinha ouvido essa mesma sentença nos últimos meses? Por que a minha felicidade deveria depender de outra pessoa que me completasse? Em qual ponto da história deixei de acreditar na concepção da Gestalt “eu sou eu; você é você”, o que me tornaria uma pessoa completa, inteira, sem necessidade de atrelar minha completude a outro ser? Será que eu não poderia ser feliz sem precisar da validação do amor oriundo de um desconhecido qualquer? – que iria me conhecer em uma noite fria em um bar, dividiria um conhaque comigo ou alguma cerveja barata, depois transaríamos de forma casual e sem compromisso até o dia seguinte, quando a enfermidade da solidão me diria, aos berros, o quanto o meu relógio biológico estava correndo e eu precisava urgentemente de um macho alfa para chamar de meu, deixar suas cuecas sujas pelo banheiro, assim como os pelos matinais, as coçadas de saco sobre meu sofá vermelho cheio de histórias, ou iria arrotar como um porco um pouco antes de bater na minha bunda consagrando a minha mediocridade de ser a mulher de um troglodita. Os meses iriam passar, até mesmo anos, até que eu perceberia (após uma pancada violenta do destino que aqui chamaremos de traição) o quanto ele fodia mal, fedia regularmente e não entendia nada sobre a vida e o amor monogâmico. E, embora eu estivesse disponível novamente para o amor, preferia a solidão contemporânea do que firmar compromisso com mais um tipo repetido de canalha não-sentimental e vazio de valores básicos.

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Soltei um suspiro longo e carregado de sarcasmo enquanto passava fita adesiva em uma das últimas caixas de livros. Camila, com seus olhos imensos e infantis, me observava a espera de uma resposta positiva, banhada de sentimentalismo clichê ou de mensagens de esperança retiradas de alguma página idiota do facebook.

– Eu não preciso de um homem na minha vida – disse, por fim.

Eu podia ouvir o ranger de dentes da pequena Camila enquanto processava minha birra.

– Como você pode ser tão teimosa? Vai ficar pra titia só porque não deu certo com ele? Está resumindo todos os…

Ergui um dedo em sinal de protesto.

– Eu não estou dizendo que odeio os homens ou que todos são iguais. Sou mais inteligente do que isso, por favor. – Levantei a caixa com dificuldade e coloquei sobre outra, perto da porta. – A questão aqui, e que fique bem clara, é a minha falta de interesse e disponibilidade para entrar em qualquer relacionamento que não seja, no mínimo, incrível.

– E você vai conseguir encontrar esse tal relacionamento incrível empacotando todas as suas tralhas, se mudando para um interior fodido e negando qualquer aproximação com o sexo oposto?

– Eu não sou mais uma adolescente cheia de medos e inseguranças. Já tive a minha dose, mais do que suficiente, de ensinamentos sobre a vida amorosa. Eu adquiri uma capacidade impressionante de determinar com precisão e antecipação se o cara vai valer a pena. É só seguir entendimentos básicos, se ele for reprovado logo de cara, paro no exato instante, e há aqueles que nem valem a pena testar. – Coloquei as mãos na cintura e observei a pequena sala do meu humilde apartamento repleta com caixas amontoadas. Um amargo surgiu no centro da garganta. – E eu não sou adepta da ideia patética que toda mulher deveria saber como mudar seu homem. Estamos vivendo em que época? – Sacudi uma das mãos no ar como se afastasse a ideia. – Mulheres morreram por nós para que tenhamos os direitos que usufruímos, e, seria ridículo e desonroso alimentar a ideia de que o homem é bom quando a mulher presta. Você mesma deveria rever seus conceitos sobre caras e entender que não somos babás de mendigos sentimentais.

Camila forja falsas palmas e revira os olhos, se apoiando despreocupadamente em um conjunto de caixas no canto da parede.

– Me fale mais sobre isso daqui dez anos e vamos ver se você ainda vai defender esse papo feminista.

– Como pode uma doce mulher como você não entender a importância do empoderamento? – Inclino-me em sua direção e lanço um peteleco suave em sua testa. – Precisamos entender que o amor não é uma obrigação. E eu tampouco mereço migalhas de outra pessoa. É pedir demais amar e ser amada com sinceridade? Por que tudo precisa se tornar um jogo de cartas marcadas para que sejamos superficialmente felizes?

– Você fala como se todas nós estivéssemos em num seriado com personagens fortes e decididas. Mas a questão verdadeira, amiga, é que estamos sozinhas. Vivemos em uma sociedade majoritariamente solitária, e se continuarmos mantendo esses seus pensamentos…

– Não são meus pensamentos, mesmo eu querendo ter participação nesta autoria – provoquei.

– Muito engraçada. – Ela se apoiou nas caixas e levantou meio preguiçosamente. – O que eu quero dizer é que aprendemos a buscar o amor. E eu quero que você encontre um cara que seja tudo isso aí que está organizado em camadas na sua mente, mas por outro lado, tenho medo de que não será capaz de desfrutar a felicidade que é dividir a vida com quem amamos, assim como eu. É pedir demais que você pegue leve em suas convicções, sonhe mais baixo e encontre um cara bacana, tenha uma vida normal e pronto?

Eu suspirei pesadamente mais uma vez e levei as mãos até os cabelos. Aquela discursão já levava anos e nada nos argumentos, de ambos os lados, mudara. Logo, se eu queria que Camila mudasse de assunto deveria dar a história por encerrada.

– Um dia eu encontrarei alguém com quem eu queira compartilhar a minha história, tudo bem?

– Você deveria querer um alguém para ser parte de sua história.

E pela primeira vez, talvez (só talvez), minha doce amiga poderia ter razão.

Ficamos caladas por alguns minutos observando as paredes brancas vazias das estantes repletas de retratos, da pequena coleção de criaturas mitológicas de vidro, dos discos de vinil que fizeram aniversário de não uso, dos diplomas de Direito, do curso de Fotografia (uma loucura sem tamanho que me dá alguma satisfação real na vida), das fotografias soltas que não ganharam porta-retratos – responsáveis por contar algumas partes soltas da minha história, dos momentos estranhos que andam se perdendo em minha memória, da época em que tudo fazia algum falso sentido; As caixas amontoadas ocupando os cantos da sala, empilhadas sem estrutura perto da porta, como se todas as minhas memórias estivessem esticando seus braços para ganharem a rua e nunca mais voltar. Estar ali, entre caixas e vazios, era como contemplar a minha vida insignificante. Era questionar a possibilidade de toda uma vida caber em caixas de papelão. O que eu tinha feito com a minha vida até aquele momento? Como as minhas memórias eram tão pequenas que poderiam ser transportadas de uma cidade a outra sem nenhum dano? O que eu tinha feito com todas as recordações densas que manipulariam a minha forma de ser? Quantas vezes eu deixei de lado quem sou para conseguir caber em caixas?

Camila deve ter notado a frustração em meu olhar, pois fez sua voz ecoar naquele vazio esquisito.

– Pelo menos a mudança te fará esquecer. Esta cidade não te faz bem.

Trocamos um olhar sofrido de quem não revelará os segredos por trás de suas palavras, pois nós duas tínhamos decorado aquele trecho da vida. Sabíamos, de alguma forma, que as memórias não estariam atreladas às paredes. O problema não estava na cidade; estava nele – na minha maldita teimosia de associar lugares a memórias; na mania de vê-lo em todos os pontos de ônibus, nas esquinas, nas bancas de revista, nos cafés e restaurantes que, ao longo dos três anos, foram refúgios de nossos encontros amorosos. Eu não estava segura naquela cidade. Ele estava em tudo, principalmente em mim. Eu não estaria segura em nenhum lugar. Eu queria confessar a Camila que eu não ia embora porque precisava de uma nova vida – a vida continuaria sendo a mesma; Eu queria sofrer longe daqueles olhares que ela, naquele instante, lançava para mim. Eu não conseguiria enfrentar os encontros com os nossos velhos amigos, todos sabiam de nossa história – começo, meio e, principalmente, o fim. Eu tinha a opção de aceitar a parte de cuidados extremos que todos os bons amigos guardam para momentos como aquele, mas chegaria o dia que a minha dor não passaria, porque eu estaria viciada em cuidados, na pena, na extrema atenção, e por sua vez, meus amigos se cansariam, cobrariam uma mudança radical, alegariam que passara tempo suficiente e era hora de mudar, esquecer tudo de ruim. As amizades se findariam no exato instante que eu, viciada em melancolia, me sentiria traída, abandonada e passaria a reavaliar a verdadeira amizade.

Eu revirei os olhos. Ela sabia que não arrancaria mais nada de mim. Seu corpo miúdo e agitado se lançou contra o meu e compartilhamos um abraço cheio de palavras emudecidas. Ela sabia que falar apenas aumentaria as minhas rachaduras, feridas seriam abertas e um mar de dor jorraria naquela sala – onde havia compartilhado com ele pequenas festas, bom sexo, alguns pratos quebrados… Dizer que sentiríamos saudade era pouco, pois tínhamos consciência da ausência imensa que acabara de nascer. Não voltaríamos aos anos bons, dali em diante eu me tornaria uma boa lembrança, alguém que ela sentirá saudade nas reuniões de final de ano, nas datas importantes, até não mais conseguir lembrar de como nos conhecemos, quais eram os motivos de nossa amizade, as afinidades, e como eu parti. Sabíamos – incapazes de confessar – que as promessas de visitas futuras seriam quebradas no exato instante que eu fechasse a última caixa. Algumas amizades tinham a tendência a durar o tempo exato de um surto de felicidade.

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Sinta-se; Voe.

28 de junho de 2016

Eu resolvi dar espaço para textos simples, sem floreios, diretos e num Português bem mais acessível. Pensando numa forma mais suave para fluir o que desejo passar, comecei a postar algumas crônicas, pensamentos, imagens, músicas (qualquer material) que visa ajudar o outro de alguma forma.

Eu fui uma adolescente cheia de problemas, conflitos e perdas, e o que mais me deixava sufocada e perdida era a ausência de alguém capaz de entender as minhas dores e angústias. Aqui estou. Eu lutei e consegui juntar uma mala de força, energia positiva, e, claro, quero dividir com vocês. Se estiver precisando de ajuda, se acha que sua vida não tem sentido, estou aqui. Vamos conversar. Eu vou conseguir estender minha mão até você.

Aqui está o primeiro texto.


Vem cá!
Eu sei que há muita coisa doendo aí dentro de você, não é? E simplesmente não entende como é possível suportar tanta dor. Parece que irá sufocar, não é mesmo? Você se questiona se há relevância em tanta dor, afinal, alguns dizem que é puro drama de sua parte, ou, “vai passar logo”.
Mas não passa, certo? E num determinado momento você acaba se fechando, evita procurar alguém para conversar por vergonha do que pensarão, como irão diminuir toda a sua agonia, dor… Tudo bem, eu entendo você. EU ENTENDO VOCÊ.
Vamos por partes!
Respire fundo. Um passo de cada vez e tudo ficará mais claro.
Não tenha medo da noite, algumas pessoas nasceram para ser assim, não se tem muito o que fazer; seria como lutar contra a sua natureza. E quem disse que ser noite é ruim? Não, não é. Há beleza em tudo criado por algo (ou Alguém) acima de todos nós.

Imagem retirada do site https://www.pexels.com/ - direitos liberados.

Imagem retirada do site https://www.pexels.com/ – direitos liberados.


Respirou fundo? Ótimo. Agora pense junto comigo:
‘Eu estou caminhando mesmo com toda essa carga em minhas costas. Eu sobrevivo (mesmo que sobreviver não seja a forma mais saudável de levar a vida) um dia de cada vez. Eu pego ônibus lotado de desconhecidos, encontro rostos que não me olham, conversas perdidas no ar… Eu vivo, não é?’
Se você conseguiu chegar até aqui com toda essa dor aí dentro, como pode se sentir pequena? Você é mais forte do que pensa, meu bem.
Talvez você esteja lendo este post e pensando “ela não me conhece” ou “ela não sabe da minha vida toda”, e não preciso CONHECER você para SENTIR VOCÊ. Não pense bobagens – muda-se os atores, o contexto ainda é o mesmo. E, não, eu não salvarei você (quem disse que você precisa de salvação?), mas darei minha empatia, meu abraço sentimental, um ombro amigo. Eu escrevo agora por VOCÊ, só POR VOCÊ que precisa ler tais palavras. Concentre-se, ok?
NÃO DESISTA. Afaste os pensamentos ruins. Procure ajuda. Sempre haverá alguém disposto a segurar tua mão e caminhar ao teu lado, mesmo por estradas distintas.
Só… não desista. Você tem o direito de ter a vida que sempre desejou. Tire todo esse peso desnecessário de tuas costas e se deixe criar asas. Comece a voar… (eu acredito!)
Há muito amor no mundo, só está procurando no lugar errado. Olhe para dentro, sinta você – inegavelmente o mundo te amará de volta.
SEJA AMOR. Siga amando.

Crônicas

Sobre a Amizade e o Amor

27 de junho de 2016

As amizades se manifestam como uma das possíveis variantes do amor; uma instituição matrimonial. E assim como se espera dos relacionamentos ao longo do tempo — as erosões, os acidentes emocionais, as quedas inesperadas das sensações, o acúmulo, as incertezas, inquietações e fracassos— se deterioram e chegam ao fim. É amor sem sexo, sem a pretensão de consumir o corpo do outro. Pode-se ainda ir além, e, determinar que a amizade se configura em diferença do amor pela ausência da pulsão sexual.
De fato, há uma disponibilidade favorável de semelhanças do que diferenças: ambos são marcados pela admiração, cumplicidade, proteção, defesa, possessividade. E neste ponto, ganho o direito de alegar que somos suscetíveis a confundir amizade com amor.
Há, sem sombra de dúvidas, rupturas evidentes que os separam, e são de imensa importância se queremos cultivar a sanidade emocional. Assim como o amor, podemos esbarrar com amizades benéficas, alimentadas pela positividade, a busca incansável pelo melhor do outro; como também, as nocivas, corrosivas, doentias e incapazes de salvar o outro (porque afogar o dito amado proporciona algum prazer para a mente calculista); Algumas são firmadas pelo tempo, outras se rompem com a brisa mais suave.